Equipamento · Ambiente a 100 °C

Calibração de banho-maria

A temperatura da água não é a temperatura dentro do tubo. Medimos o gradiente do banho e o tempo real de equilíbrio da amostra.

Banho-maria parece o equipamento mais simples da lista e é o que mais engana. A água conduz e homogeneíza melhor que o ar, o que dá a impressão de uniformidade automática. Só que o aquecimento vem de uma resistência localizada e, sem agitação, a água estratifica: o fundo, perto da resistência, fica mais quente que a superfície, e as bordas perdem calor para o ambiente.

E há uma segunda camada, mais sutil: o que importa não é a temperatura da água, é a temperatura dentro do frasco. Entre uma e outra existem a parede do recipiente, o volume da amostra e o tempo — um tubo colocado num banho a 37 °C leva minutos até chegar a 37 °C. Quem cronometra a incubação a partir do instante em que mergulhou o tubo está contando um tempo que ainda não começou.

O que dá errado

Os quatro pontos que passam despercebidos

Estratificação sem agitação

Banho sem circulação apresenta diferença mensurável entre fundo e superfície e entre centro e borda. O termômetro pendurado num canto não representa a posição onde as amostras ficam.

Nível de água baixo

É a causa mais frequente e a mais silenciosa. A evaporação reduz o nível ao longo do dia, expõe parte do frasco ao ar e altera a inércia térmica do conjunto inteiro. O display continua marcando o setpoint o tempo todo.

O tempo de equilíbrio da amostra não é contado

Protocolos que exigem incubação por tempo definido pressupõem que a amostra está na temperatura. Sem conhecer o tempo de equilíbrio do seu volume e do seu tipo de frasco, a incubação efetiva é sempre menor que a anotada.

Muitos frascos frios de uma vez

Carregar o banho com vários tubos frios simultaneamente derruba a temperatura da água e prolonga a recuperação. Numa rotina de picos, o banho passa parte do dia abaixo do setpoint.

Como executamos
  • Calibração do indicador por comparação com padrão rastreável, no setpoint de uso.
  • Levantamento do gradiente do banho — fundo, superfície, centro e bordas — na condição de nível e de agitação usadas na rotina.
  • Medição do tempo de equilíbrio da amostra com frasco e volume representativos do uso real: é o dado que transforma o tempo de protocolo em tempo efetivo.
  • Verificação da recuperação após inserção de carga fria.
O que você recebe
  • Certificado de calibração com erro e incerteza no ponto de trabalho.
  • Gradiente medido do banho, com a diferença máxima entre as posições.
  • Tempo de equilíbrio medido para o frasco e o volume informados.
  • Indicação da região do banho onde as amostras devem ser posicionadas.
Dúvidas frequentes

Sobre banho-maria

O banho tem termostato digital. Ainda preciso calibrar?

O termostato controla; ele não verifica a si mesmo. Display digital com uma casa decimal e erro de 2 °C é um cenário comum e indistinguível a olho nu — só a comparação com padrão revela.

Preciso calibrar se uso o banho só para descongelar?

Se a temperatura não é requisito do processo, a exigência cai bastante. Mas o descongelamento de plasma, por exemplo, tem faixa definida justamente porque o excesso desnatura proteína — nesse caso é requisito, sim.

Com que frequência calibrar?

Anual costuma atender. O que deve ser diário é a verificação do nível de água e a leitura do termômetro de rotina, porque é o nível que degrada em dias — não a calibração.