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Calibração de freezer e refrigerador científico

O ciclo de degelo cria picos periódicos que o display não mostra. Calibramos o indicador e registramos o perfil real ao longo do ciclo.

Freezer e geladeira de laboratório carregam um problema que o eletrodoméstico normalizou: o degelo automático. Pra derreter o gelo do evaporador, o sistema interrompe a refrigeração e, em muitos modelos, aciona uma resistência. Isso produz um pico de temperatura periódico, de vários graus, que dura minutos — e que raramente aparece no display, porque o sensor de controle costuma ficar fora da região aquecida e o mostrador tem amortecimento.

É por isso que reagente, amostra e imunobiológico não devem ser guardados em equipamento doméstico frost-free, e por isso a verificação desses equipamentos precisa ser um registro contínuo, não uma leitura pontual. Uma medição instantânea às 10h tem grande chance de cair fora do degelo e concluir que está tudo bem.

O que dá errado

Os quatro pontos que passam despercebidos

O pico do degelo é invisível na leitura pontual

Verificação feita uma vez por turno, anotando o que está no display, quase nunca coincide com o degelo. O registro parece impecável e o produto passa por excursões periódicas que ninguém documentou.

A porta é o pior lugar e é onde tudo vai parar

As prateleiras da porta são as mais quentes e as que mais oscilam, porque estão do lado do ambiente e sofrem a abertura inteira. É também onde, por conveniência, acabam ficando os frascos de uso frequente.

Termômetro de mercado sem certificado

O termômetro barato exibe uma casa decimal e transmite confiança. Sem calibração, essa casa decimal é decoração — e todo o controle do equipamento passa a se apoiar num número que ninguém verificou.

Equipamento sobrecarregado ou obstruído

Prateleira lotada, papel forrando o fundo, produto encostado na parede do evaporador: todos bloqueiam a circulação e criam ponto quente localizado num equipamento que, medido no centro, parece perfeito.

Como executamos
  • Calibração do termômetro ou indicador por comparação com padrão rastreável, nos pontos da faixa efetivamente usada.
  • Registro contínuo por período suficiente pra capturar ciclos completos, incluindo pelo menos um degelo — é a única forma de conhecer a amplitude real do pico.
  • Verificação dos pontos extremos: prateleira da porta, fundo junto ao evaporador, prateleira superior e inferior.
  • Avaliação da vedação e do fechamento da porta, que é a causa mais comum de formação de gelo e de consumo elevado.
O que você recebe
  • Certificado de calibração do indicador com erro e incerteza.
  • Perfil de temperatura no tempo, com o pico de degelo caracterizado em amplitude e duração.
  • Identificação das posições internas que não sustentam a faixa, pra orientar o que pode ficar em cada prateleira.
  • Observações de manutenção levantadas durante o serviço — vedação, gelo, obstrução —, quando houver.
Dúvidas frequentes

Sobre freezer e refrigerador científico

Meu freezer é frost-free. Isso é um problema?

É um dado que precisa ser conhecido. O degelo automático produz picos periódicos; se o material armazenado tolera esses picos, não há problema. Se não tolera, o equipamento é inadequado independentemente de estar calibrado. A medição é o que permite tomar essa decisão com número em vez de opinião.

Basta calibrar o termômetro?

Calibrar o termômetro resolve a confiança no número, não a distribuição interna. Em equipamento pequeno, o levantamento dos pontos extremos é rápido e costuma ser feito na mesma visita.

Com que frequência calibrar?

Anual é o intervalo usual para a calibração. O registro de rotina, por sua vez, é diário e fica com a equipe do local — e é a calibração que garante que esse registro diário significa alguma coisa.